Os Croods faz referência ao mito da caverna de Platão

Animação da DreamWorks remete à famosa alegoria do filósofo grego Platão; filmes também mostra que famílias são todas iguais até mesmo na pré-história

Por Mie Francine Chiba

Publicado em 28/06/2016

Por que assistir?

1. A animação da DreamWorks é literalmente um filme para toda a família; trata da relação entre os membros de uma família pré-histórica formada por Grug (o pai), Ugga (a mãe), a vovó, o garoto Thunk, a pequena Sandy e a adolescente Eep e faz um retrato fiel de todas as famílias, até das mais modernas;

2. Os Croods retrata ainda a relação do pai superprotetor com a filha que está se tornando uma adolescente e que tem vontade de conhecer o mundo. Para deixar a situação ainda mais complicada, Eep se apaixona por um garoto chamado Guy;

4. A animação remete claramente ao Mito da Caverna, uma passagem do livro A República, do filósofo grego Platão: convencido de que o mundo lá fora é perigoso e usando a filosofia de que o “novo é ruim”, o patriarca Grug, mantém sua família dentro de uma caverna toda a vida;

Vale a pena assistir em sala de aula?

1. Sim, mas como o filme tem 1h32min de duração, recomenda-se passar em mais de uma aula;

2. Serve de referência para as aulas de Filosofia e História e para atividades artísticas, como desenhos, pintura e redação;

3. O desenho é excelente para trabalhar com as crianças e jovens temas como família, adolescência, amor, paixão, medo e confiança.

Sobre o filme

A pré-história pode ser um ambiente muito assustador: predadores estão sempre à solta, desastres naturais estão sempre prestes a acontecer. Por esse motivo, Grug, o patriarca da família Crood, mantém os seus entes todo o tempo seguros e confortáveis dentro de uma caverna. “O novo é sempre ruim, nunca perca o medo”, diz o pai.

A ideia não é muito bem recebida por Eep, a filha adolescente que sempre teve vontade de conhecer o mundo exterior. Isso enfim acontece quando um acidente faz com que a família tenha de sair da caverna e tenha de encontrar um novo lugar seguro para morar.

Nessa jornada, entretanto, os Croods conhecem um fascinante mundo novo, e também encontram um jovem chamado Guy, por quem Eep se apaixona. Nisso, Grug precisa aprender a lidar com os novos sentimentos de sua filha adolescente e Eep precisa aprender a compreender as intenções do pai superprotetor.

Mas além de ser uma animação riquíssima sobre a relação familiar, Os Croods vai além e resgata da filosofia uma alegoria muito conhecida, escrita pelo filósofo grego Platão, em seu livro a República. Nesta alegoria, um grupo de pessoas vive dentro de uma caverna desde que nasceram. Lá, eles ficam de costas para a entrada e acorrentados, sendo forçados a olhar para a parede do fundo da caverna o tempo todo. Atrás dos prisioneiros, há uma fogueira que projeta sombras na parede do fundo da caverna. Estas sombras, para os homens que vivem na caverna, são tudo o que existe no mundo. E a escuridão os fez tão cegos que, acaso alguém viesse a se libertar, fosse para o exterior da caverna e regressasse para contar aos prisioneiros, seria desacreditado.

O mito da caverna de Platão faz referência à busca do conhecimento. Enquanto ficarmos presos à caverna e às suas sombras – que representam, na visão de alguns, representam preconceitos , falsas crenças e ideias enganosas, nunca iremos alcançar a luz, ou o verdadeiro conhecimento.

Isso é o que faz Grug em Os Croods. Ao privar sua família do mundo exterior, mesmo com o objetivo de mantê-la a salvo, o homem das cavernas mal sabe que também a está privando da liberdade, de belas paisagens e de experiências enriquecedoras.

Os Croods também virou série de TV e a parte 2 do filme está programada para julho de 2017.

Veja o trailer:

Voltar